Motivos do bem

Falta metade da operação, e o caroço não espera

Ela na cama do hospital, de cabeça raspada, segurando um caderno com o desenho de uma casa e uma família
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O pai dela vendeu a moto que usava pra trabalhar. Depois vendeu a aliança que era da esposa. Contou o dinheiro em cima da cama da filha, nota por nota, e não deu nem metade do que a operação custa.

Agora ele vai pro serviço de carona, ou a pé, mais de uma hora andando. Trabalha o dia inteiro e volta direto pro hospital, dormir numa cadeira do lado dela.

Ela andando pelo corredor do hospital segurando o suporte do soro, amparada pelo pai

O motivo disso tudo cresce do lado esquerdo da cabeça dela. Começou um carocinho atrás da orelha, pequeno de esconder com o pente. Hoje não tem cabelo que cubra.

E ele não cresce só pra fora. Por dentro, vai apertando a parte que faz o olho enxergar. Toda quarta medem ele com uma fita, e o número nunca desceu. A vista do olho esquerdo escurece no mesmo ritmo.

O doutor foi direto: existe uma operação que tira ele inteiro. Tirou, ela volta pra casa, volta pro irmão de onze anos que ela criou desde bebê e que ainda acha que ela só foi fazer uns exames.

Ela deitada na cama do hospital, de cabeça raspada e com o soro na mão
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Só que dentro daquela casa, a conta parou. O que dava pra vender, já foi. O que o pai ganha segura o mês, e olhe lá.

Agora são duas contas. A do caroço, que anda toda semana. E a do dinheiro, que sozinha aquela família não faz andar.

Ela passou onze anos sendo a mãe daquela casa sem pedir nada pra ninguém. A primeira vez que ela precisa, é essa.

O que o pai dela começou sozinho termina aqui embaixo.

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C
Claudio

Vendeu a moto, vendeu a aliança... isso é amor de pai.

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S
Simone

Mais de uma hora a pé pro serviço e ainda dorme numa cadeira do lado dela. Que homem.

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R
Renata

Ela criou o irmão desde bebê. Agora é a vez de alguém cuidar dela.

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D
Daniel

Contando nota por nota em cima da cama dela... isso me quebrou.

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V
Vanessa

Mandei pro grupo da família. Quanto mais gente souber, melhor.

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M
Marcos

Sou pai também. Não sei se teria a força que esse homem tem.

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A
Aline

Onze anos cuidando da casa sem pedir nada. Força, você não tá sozinha.

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